A Olho nu mas de roupa
minha mãe na fila, minha irmã ainda na escola. carros parados, com motores ligados de repente, o hermano chuta uma latinha e num primeiro gingado, tudo vira magia aqui não tem bola, nem campo, só a calçada torta e a vontade de inventar um mundo. no primeiro drible da vaca num gesto que nem eu sabia ter virei o savio, no gol, fui romário fui taffarel e até no auge da cavalice junior baiano ali invocamos os heróis do futebol: fomos todos eles. fomos nós mesmos. fomos tudo ao mesmo tempo. narradores do próprio lance e a torcida de nós mesmos. ao nosso redor pais impacientes a espera de seus filhos e a gente dando a alma por uma latinha soou a campainha e o jogo não acabou minha irmã chegou abandonei a latinha no último chute e fomos embora suados e felizes.