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Mostrando postagens de outubro, 2025

Café pela Metade

dois goles rápidos no café com leite quente que ficou pela metade porque em vez de acordar às seis levantou às seis e vinte e cinco da janela vejo a perua chegar “julia, voa!” apressada, coloca a mochila nas costas e dispara: “tchau, pai!” e antes que eu consiga dar um beijo já desce o segundo lance de escadas só dá tempo de gritar: desce com cuidado, menina! em seguida, solto em alto e bom som um eu te amo poderoso que ecoa por todo o caminho dela

não crie expectativas

vou logo avisando esse poema não é bom não é bom porque se alonga demais igual uma criança que estica um chiclete até ele romper esse poema chegou atrasado ele queria dizer eu te amo para quem já foi esse poema é uma louça mal lavada. guardada e encontrada uma semana depois esse poema é a magia da colher mexendo o café com leite e vendo ele mudando de cor.  ele é a maldição do café de padaria que de tão quente queimou o céu da minha boca esse poema é o constrangimento de fazer coco no escritório e entupir a privada e ter que avisar o chefe esse poema é pretensioso, ele quer ser muita coisa e não é ele acha que é uma massinha de criança que vira bola, depois minhoca e acaba como bigode esse poema termina do nada como a vida