capotou um carro no meu coração

ele é o maestro da rua
com o apito na boca
segura uma avenida
libera a transversal
e por ela
passam dois cavalos
presos por uma charrete
um carro afobado 
engasga entre as avenidas
morreu! buzinas impacientes
olhares indignados
um táxi dá seta para a esquerda
uma ambulância passa neurótica 
com a sirene histérica
e antes que o sinal fechasse
cruza a avenida
uma moto com uma mulher
na garupa carregando uma melancia?


naquela esquina
à meia luz
em cima da mesa
um abajur aceso
café expresso
e toda calma
a poucos metros

ela vai patinando
livre, leve e solta
pelas lembranças
de um tempo 
que não volta



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